sábado, 20 de dezembro de 2008

Universidade: A alternativa possível

Mais umhas eleiçons na Universidade. Estudantes, professores e PAS a escolher os seus representantes na limitada democracia universitária. Alem dos resultados da quarta-feira, alem do número de representantes de cada organizaçom, plataforma ou “chiringuito”, seguimos sem ter umha verdadeira alternativa.

Longe fica já aquela Alternativa da Universidade Galega (AUGA), encabeçada nos anos 80 por Beiras. Um projecto integral, formados polos três sectores e com vontade para mudar as cousas. Nom ganhou, e a iniciativa esvaeceu no devir da vida institucional universitária.

Muito mudou o panorama nestes anos. Mais universidades, mais faculdades, mais professores, mais PAS... e menos estudantes. Hoje estamos diante dum dos maiores ataques ao ensino público: a implantaçom do Espaço Europeio de Educaçom Superior (EEES), ou Processo de Bolonha. Esta reforma, ante a que alguns nom soubemos reagir, agravará a situaçom dumha Universidade dividida, de costas á sociedade e á si mesma, corrupta e endividada.

Mentres, cada um de nós está cômodo na sua parcela de poder, na sua ilha ou no seu despacho. Estamos ao lado e nom nos miramos. Quanto seguiremos asi? Os estudantes permanecemos mui pouco tempo na Universidade (uns menos que outros), polo que nom acadamos experiência abonda para conhece-la bem. Mais professores e PAS si a conhecem bem.

Só quando os que sabem e os que nom sabem mas som muitos com anseios de câmbio sejam quem de juntar-se as cousas começaram a mudar. O nacionalismo debe reagir e volver dar a batalha num campo onde sempre tivo umha presença especial, porque a Universidade é um piar básico do desenvolvimento do nosso país e na actual situaçom corre o risco de ficar mutilado. Juntemo-nos, falemos, luitemos e construamos juntos o futuro, porque a alternativa é necessária, mas também é possível.

domingo, 23 de novembro de 2008

Oriana

A História produz certos personagens singulares, criados polas circunstâncias e fortalecidos polo seu carácter. É o caso da jornalista italiana Oriana Fallaci (1929 – 2006), quem tivo umha vida apaixonante mas sem dúvida dura.

De nena cargava na bolsa da escola as granadas da resistência antifascista italiana na que participava seu pai, detido e torturado polos alemãs. As suas acçons fôrom condecoradas polo exército italiano aos catorze anos de idade. Sem formaçom jornalistica, entra na profissom com dezasseis anos, primeiro em jornais locais e logo no semanário L'Europeo.

Nas páginas desta publicaçom aparecerám as suas famosas entrevistas com os homens que marcárom a segunda metade do século XX: Henry Kissinger, Khomeini, Yasir Arafat, o arcebispo Makarios, Willi Brandt ou Álvaro Cunhal. Mas também com as primeiras mulheres que chegárom ao poder: Indira Gandhi na Índia, Golda Meier em Israel ou Sirinavo Bandaranaike em Sri Lanka. Conheceu de preto a guerra do Vietname, onde estivo sete vezes, cobrindo o conflito para L'Europeo.

Umha vida emocionante, mas que nom pudo compensar as suas desgraças pessoais. O seu companheiro, o luitador anarquista Alexandros Panagoulis, foi assassinado em maio de 1976. Marcou-na tanto que chegou a escrever umha biografia: Um homem. Outro dos seus tormento no treito final da sua vida foi a sua frustrada maternidade, que junto com as críticas á presença do Islam na Itália ocupariam as suas últimas obras.

Um personagem sem dúvida controvertido, Oriana Fallaci é umha das grandes figuras do jornalismo do século XX. Umha mulher que rompeu estereótipos e as barreiras que lhe impediam chegar á verdade. Nunca intentou ocultar-se baixo umha falsa objectividade, sempre era ela, deixando sempre, nas suas palavras, girons da alma em cada experiencia profissional.

domingo, 2 de novembro de 2008

Nós, os inadaptados

O independentismo galego nom é um fenômeno novo no nosso País. Já desde 1921 Fuco Gómez liderava as primeiras experiências, como nom podia ser doutro jeito, na emigraçom.

Se bem vamos caminho dos cem anos, quanto tempo tardamos em juntar cem independentistas? Falar de independentismo galego é falar dum movimento marginal, quando nom simplesmente testemunhal. Se o nacionalismo no seu conjunto tivo muitos problemas para assentar-se como umha realidade no seio da sociedade galega, as dum movimento que em muitos casos semelha buscar essa marginalidade som ainda maiores.

Somos poucos, é certo. Pero temos direito a defender a nossa visom em todos os foros, e a ser reconhecidos e respeitados como umha parte mais do nacionalismo galego.

Possivelmente tenha raçom Foz quando di que onde hai mais independentistas é no BNG. Mas provavelmente seja o lugar onde temos mais problemas. Se desde sempre o partido hegemônico, a UPG, tem-se amossado ferreamente antiindependentista, agora há que somar essa massa de cargos institucionais, enchufados e podremia pós-maoísta desfasada que é o quintanismo. Para que falar de independência se podemos falar de cargos de libre designaçom?

Porém, o independentismo tem muito que achegar á Fronte Patriótica. Se o BNG quer actuar como “casa comum” do nacionalismo e non como chalé particular de altos cargos debe aprender a escoitar a nossa voz, conscientes, isso si, que somos umha minoria.

Só quando o BNG seja a organizaçom plural que foi, volverá a ser a ferramenta que precisa este país para a sua libertaçom nacional.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Lembramos para avançar

Agosto é o mes dos mártires. Nestes dias lembramos a Alexandre Bóveda, a Xohán Xesús González ou a Moncho Reboiras. Em Teio homenageamos ao alcalde galeguista de Compostela, Ánxel Casal. Atopárom o seu cadáver numha valeta de Cacheiras o 19 de agosto de 1936.

Casal foi umha figura clave do galeguismo de preguerra e na sua imprenta vírom a luz a revista Nós e obras de Castelao, Álvaro Cunqueiro ou Camilo Díaz Baliño.

Mas porque olhamos de novo cara as fossas comuns e as tapias dos cemiterios? Que buscamos? Alguns voltamos a vista atrás para construir o futuro, porque um povo que esquece a sua história esta obrigado a repeti-la.

Nom busquemos novos santos nem totens baleiros aos que adorar ritualmente. Os mártires estám ai para lembrar-nos a tradiçom de rebeldia e luita de onde vimos. Tradiçom que nom podemos esquecer se queremos realizar o desejo de Castelao: que na nossa Terra se cumpra a vontade dos mártires.


Teio 5 de setembro de 2009

domingo, 4 de maio de 2008

Dias de luita e sonhos

Compostela vive, apesar de todo, reivindicativa e luitadora. Em voz baixa quiçá, mas vive. As bandeiras volvem a umhas ruas mobilizadas por professores, alguns estudantes e trabalhadores em geral. A folga dos ensinantes contra o novo decreto do Bacharelato, a modesta e questionável folga dos CAF e a manifestaçom da CIG do 1º de maio marchárom polo coraçom dumha cidade que precisa espertar e volver a tempos idos.

Apesar das derrotas seguimos aí. Muitos vivemos agora o presente dumha longa tradiçom de derrotas em todo o mundo: na Galiza, em Itália, em qualquer parte onde luitemos por construir umha alternativa ao mundo de hoxe. Mas seguimos aí. Porquê? Que nos fai avançar? É a utopia no horizonte da que nos falou Galeano? Ou é o abrente de bandeiras ao vento de Celso Emílio? Nom saberia dizer.

A amargura das derrotas escritas na pel dos que luitamos podiam ver-se nas ruas de Compostela, mas também a ilusom e os aços para novas batalhas. A carpa de Sam Lourenço, carvalheira de sonhos e fraternidade, serviu mais um ano para de refúgio para a esperança dos que ainda sonhamos com cambiar o mundo. Misturada com o polvo e as cançons, mantivemos viva a força que nos fai avançar. Porque apesar de todo, a luita continua.


Montouto (Teio)

4 de maio de 2008

domingo, 23 de março de 2008

Ao encontro do velho mestre

Contactar com el foi relativamente singelo (aparte de um professor universitário borracho nom houvo obstáculos). Amável e cordial, combinar com el foi mais difícil, el tinha que organizar a sua Semana Santa e eu a minha. Mas a força de insistir atopamos um dia no que os dous nom tivéssemos problemas.

Som consciente do muito que vai falar dom Alonso, mas isso nom importa. A posibilidade de entrevistar á testemunha viva de quase oitenta anos de história da Galiza (inda que el diga Galicia), da repressom franquista (o desterro a Córdoba) e do fracasso da URSS. Mas iso non lhe impede ser a chama viva da utopia comunista no nosso país. Nervos? Pode ser. Nom é um home que conceda muitas entrevistas, amais de ter umha idade avançada. É a primeira entrevista séria e com alguém de importáncia.

A excusa é um trabalho de classe, mas a simples conversa com dom Alonso Montero (omito o nome para evitar problemas normativos) compensa todos os esforços. A viagem no trem descorre lenta e tranquilamente, acompanhada por leituras sobre o socialismo no s.XXI.

A viagem, desde Compostela até a cidade de Vigo, amosa o dinamismo de certas zonas do Eixo Atlántico (a Galiza interior nom é igual). A chaira do Val de Amaía, o caos urbanístico de Vila Garcia de Arouça, as vides do Salnês, a imagem da ponte de Rande na Ria de Vigo ou o lazareto da ilha de Sam Simom, convertido em cárcere e cemitério polos golpistas do 36.

Vigo amosa-se caótica e empinada. Umha cidade na que os operários ainda amossam a sua força como en tempos passados nom podia ser perfecta. Piar do PCE(r) e dos GRAPO na Galiza, junto com Ferrol, acolhe no seu seio a um velho mestre que conta, quiçais sem sabe-lo, um novo aluno.


Montouto (Teio)

21 de Março de 2008

sábado, 19 de janeiro de 2008

Espranza

Erguerémo-la espranza
sobre ista terra escura
coma quen ergue un facho
nunha noite sin lúa.

Marcharemos cinguidos
polos duros segredos
dunha patria soñada
á que non voltaremos.

Non sabrán o camiño
que pra entón colleremos.

Longos ríos de brétema,
longos mares de tempo.
Tripulantes insomnes,
na libertá creemos.

Viva, viva, decimos
aos que están no destero
e soñan cun abrente
de bandeiras ao vento.

Adictos da saudade
que levades a luz polos vieiros.
¡Saúde a todos,
compañeiros!


Celso Emilio Ferreiro
Longa noite de pedra


A todos os que estivestes ai quando mais vos necesitei. Sobre todo a vos os dous, o stalinista e a histérica, que se bem um dia acabaredes comigo, nom saberia que facer sem vos. Muito obrigado por ajudar me a nom perder a esperança.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Umha pantasma percorre Europa

Umha pantasma percorre Europa: a pantasma da homosexualidade. Todos os conservadores da velha Europa aliaron-se para umha santa cacería contra esta pantasma, Ratzinger e Sarkozy, Rouco Varela e Aznar, o catolicismo râncio e os carcas mal dissimulados.

Onde está o dereitista que nom alertara da destruiçom da familia tradicional? Onde está o partido conservador que nom acusasse aos governos “progres” de dinamitar os alicerces da orde social com as suas medidas?

Duas cousas deducen-se deste feito.

A homosexualidade visiviliza-se na Europa como umha realidade social.

É hora de amosarmo-nos tal como somos, que os nosos beijos nom son diferentes, que somos algo mais que uns hábitos de consumo ou que ter “pluma”. É hora de que a gente se decate de que o noso nem é umha doença nem se contagia e que um meninho veja dous homens da mao nom influe na sua sexualidade.

Porque nom é culpa nosa que o Vaticano seja um imenso armário do que nom querem sair, nem que o conservadorismo europeo sinta saudades da Idade Meia. Porque ainda que censurem um cartaz nom poderám ocultar-nos. Porque um beijo contra a sida nom é mais reprobábel que umha mulher meio espida anunciando roupa das empresas que financiam os partidos de dereitas. Porque viver a nosa sexualidade com liverdade nom dana a ninguém.

Porque, simplesmente, somos o que somos, e nom tivemos medo de deixar de ser pantasmas na escuridade clandestina dum parque para namorar-nos, amar e desfrutar dos nosos corpo como pessoas livres na rua e á vista de todos. Porque um beijo é um beijo. Porque nós somos simplesmente nós.


Imagem: Cartaz dumha campanha francesa contra a sida censurado por ser "demasiado explícito".

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Refundaçom: política, pessoal... e blogueira

Mamá Pata volve á rede

Aqui estou de novo. Moitos de vos notache-des que nos últimos tempos estiven co ánimo bastante baixo. É certo, e agradeço moito a todas aquela pessoas que se preocuparon por mim e me derom o seu apoio. Se bem agardaba moito mais de algumhas delas, surprenderon-me gratamente algumha outra.

Pero esa etapa baixa esta em processo de superaçom. Só precisaba recuperar a ilussom, e para iso nada melhor que umha fonda refundaçom. Tranquilo Duarte, nom tem nada a ver com nenghum partido trotskista.

Refundaçom política: Após quatro anos de militáncia política activa, preciso meditar bem onde quero trabalhar. Demasiadas organizaçons e pouco tempo. Nom há deriva ideológica, eu nom som dos de cambiar a ideologia segundo sopre o vento.

Refundaçom pessoal: Acabo de pechar as duas primeiras décadas da minha vida (Hoje cumpro 20 anos!). Necesito saber que vou fazer. Definir projectos, olhar cara o futuro (sem abandonar o presente) e ampliar horizontes.

Refundaçom blogueria: Suponho que simplesmente precisaba cambiar de aires este invento. Outra estética e outra normativa que melhorara co tempo(para desgraça de Jorge, que dirá que escribo em portughés). Nom podo asegurar nada no que a actualizaçons se refire.

E ate aqui a inauguraçom deste novo blog. Suponho que hoje nom o vai ler ninguém e que estaredes durmindo. Fazedes bem. Eu, como nom podia ser doutro jeito, estou mais preocupados pola enchenta de comida que vou pilhar hoje que por sair. Cada loco com o seu tema. Nom me pidades mais.

Um bico e umha aperta forte a todos aqueles que simplemente estivéchedes aí.