domingo, 2 de novembro de 2008

Nós, os inadaptados

O independentismo galego nom é um fenômeno novo no nosso País. Já desde 1921 Fuco Gómez liderava as primeiras experiências, como nom podia ser doutro jeito, na emigraçom.

Se bem vamos caminho dos cem anos, quanto tempo tardamos em juntar cem independentistas? Falar de independentismo galego é falar dum movimento marginal, quando nom simplesmente testemunhal. Se o nacionalismo no seu conjunto tivo muitos problemas para assentar-se como umha realidade no seio da sociedade galega, as dum movimento que em muitos casos semelha buscar essa marginalidade som ainda maiores.

Somos poucos, é certo. Pero temos direito a defender a nossa visom em todos os foros, e a ser reconhecidos e respeitados como umha parte mais do nacionalismo galego.

Possivelmente tenha raçom Foz quando di que onde hai mais independentistas é no BNG. Mas provavelmente seja o lugar onde temos mais problemas. Se desde sempre o partido hegemônico, a UPG, tem-se amossado ferreamente antiindependentista, agora há que somar essa massa de cargos institucionais, enchufados e podremia pós-maoísta desfasada que é o quintanismo. Para que falar de independência se podemos falar de cargos de libre designaçom?

Porém, o independentismo tem muito que achegar á Fronte Patriótica. Se o BNG quer actuar como “casa comum” do nacionalismo e non como chalé particular de altos cargos debe aprender a escoitar a nossa voz, conscientes, isso si, que somos umha minoria.

Só quando o BNG seja a organizaçom plural que foi, volverá a ser a ferramenta que precisa este país para a sua libertaçom nacional.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Lembramos para avançar

Agosto é o mes dos mártires. Nestes dias lembramos a Alexandre Bóveda, a Xohán Xesús González ou a Moncho Reboiras. Em Teio homenageamos ao alcalde galeguista de Compostela, Ánxel Casal. Atopárom o seu cadáver numha valeta de Cacheiras o 19 de agosto de 1936.

Casal foi umha figura clave do galeguismo de preguerra e na sua imprenta vírom a luz a revista Nós e obras de Castelao, Álvaro Cunqueiro ou Camilo Díaz Baliño.

Mas porque olhamos de novo cara as fossas comuns e as tapias dos cemiterios? Que buscamos? Alguns voltamos a vista atrás para construir o futuro, porque um povo que esquece a sua história esta obrigado a repeti-la.

Nom busquemos novos santos nem totens baleiros aos que adorar ritualmente. Os mártires estám ai para lembrar-nos a tradiçom de rebeldia e luita de onde vimos. Tradiçom que nom podemos esquecer se queremos realizar o desejo de Castelao: que na nossa Terra se cumpra a vontade dos mártires.


Teio 5 de setembro de 2009

domingo, 4 de maio de 2008

Dias de luita e sonhos

Compostela vive, apesar de todo, reivindicativa e luitadora. Em voz baixa quiçá, mas vive. As bandeiras volvem a umhas ruas mobilizadas por professores, alguns estudantes e trabalhadores em geral. A folga dos ensinantes contra o novo decreto do Bacharelato, a modesta e questionável folga dos CAF e a manifestaçom da CIG do 1º de maio marchárom polo coraçom dumha cidade que precisa espertar e volver a tempos idos.

Apesar das derrotas seguimos aí. Muitos vivemos agora o presente dumha longa tradiçom de derrotas em todo o mundo: na Galiza, em Itália, em qualquer parte onde luitemos por construir umha alternativa ao mundo de hoxe. Mas seguimos aí. Porquê? Que nos fai avançar? É a utopia no horizonte da que nos falou Galeano? Ou é o abrente de bandeiras ao vento de Celso Emílio? Nom saberia dizer.

A amargura das derrotas escritas na pel dos que luitamos podiam ver-se nas ruas de Compostela, mas também a ilusom e os aços para novas batalhas. A carpa de Sam Lourenço, carvalheira de sonhos e fraternidade, serviu mais um ano para de refúgio para a esperança dos que ainda sonhamos com cambiar o mundo. Misturada com o polvo e as cançons, mantivemos viva a força que nos fai avançar. Porque apesar de todo, a luita continua.


Montouto (Teio)

4 de maio de 2008

domingo, 23 de março de 2008

Ao encontro do velho mestre

Contactar com el foi relativamente singelo (aparte de um professor universitário borracho nom houvo obstáculos). Amável e cordial, combinar com el foi mais difícil, el tinha que organizar a sua Semana Santa e eu a minha. Mas a força de insistir atopamos um dia no que os dous nom tivéssemos problemas.

Som consciente do muito que vai falar dom Alonso, mas isso nom importa. A posibilidade de entrevistar á testemunha viva de quase oitenta anos de história da Galiza (inda que el diga Galicia), da repressom franquista (o desterro a Córdoba) e do fracasso da URSS. Mas iso non lhe impede ser a chama viva da utopia comunista no nosso país. Nervos? Pode ser. Nom é um home que conceda muitas entrevistas, amais de ter umha idade avançada. É a primeira entrevista séria e com alguém de importáncia.

A excusa é um trabalho de classe, mas a simples conversa com dom Alonso Montero (omito o nome para evitar problemas normativos) compensa todos os esforços. A viagem no trem descorre lenta e tranquilamente, acompanhada por leituras sobre o socialismo no s.XXI.

A viagem, desde Compostela até a cidade de Vigo, amosa o dinamismo de certas zonas do Eixo Atlántico (a Galiza interior nom é igual). A chaira do Val de Amaía, o caos urbanístico de Vila Garcia de Arouça, as vides do Salnês, a imagem da ponte de Rande na Ria de Vigo ou o lazareto da ilha de Sam Simom, convertido em cárcere e cemitério polos golpistas do 36.

Vigo amosa-se caótica e empinada. Umha cidade na que os operários ainda amossam a sua força como en tempos passados nom podia ser perfecta. Piar do PCE(r) e dos GRAPO na Galiza, junto com Ferrol, acolhe no seu seio a um velho mestre que conta, quiçais sem sabe-lo, um novo aluno.


Montouto (Teio)

21 de Março de 2008