domingo, 23 de novembro de 2008

Oriana

A História produz certos personagens singulares, criados polas circunstâncias e fortalecidos polo seu carácter. É o caso da jornalista italiana Oriana Fallaci (1929 – 2006), quem tivo umha vida apaixonante mas sem dúvida dura.

De nena cargava na bolsa da escola as granadas da resistência antifascista italiana na que participava seu pai, detido e torturado polos alemãs. As suas acçons fôrom condecoradas polo exército italiano aos catorze anos de idade. Sem formaçom jornalistica, entra na profissom com dezasseis anos, primeiro em jornais locais e logo no semanário L'Europeo.

Nas páginas desta publicaçom aparecerám as suas famosas entrevistas com os homens que marcárom a segunda metade do século XX: Henry Kissinger, Khomeini, Yasir Arafat, o arcebispo Makarios, Willi Brandt ou Álvaro Cunhal. Mas também com as primeiras mulheres que chegárom ao poder: Indira Gandhi na Índia, Golda Meier em Israel ou Sirinavo Bandaranaike em Sri Lanka. Conheceu de preto a guerra do Vietname, onde estivo sete vezes, cobrindo o conflito para L'Europeo.

Umha vida emocionante, mas que nom pudo compensar as suas desgraças pessoais. O seu companheiro, o luitador anarquista Alexandros Panagoulis, foi assassinado em maio de 1976. Marcou-na tanto que chegou a escrever umha biografia: Um homem. Outro dos seus tormento no treito final da sua vida foi a sua frustrada maternidade, que junto com as críticas á presença do Islam na Itália ocupariam as suas últimas obras.

Um personagem sem dúvida controvertido, Oriana Fallaci é umha das grandes figuras do jornalismo do século XX. Umha mulher que rompeu estereótipos e as barreiras que lhe impediam chegar á verdade. Nunca intentou ocultar-se baixo umha falsa objectividade, sempre era ela, deixando sempre, nas suas palavras, girons da alma em cada experiencia profissional.

domingo, 2 de novembro de 2008

Nós, os inadaptados

O independentismo galego nom é um fenômeno novo no nosso País. Já desde 1921 Fuco Gómez liderava as primeiras experiências, como nom podia ser doutro jeito, na emigraçom.

Se bem vamos caminho dos cem anos, quanto tempo tardamos em juntar cem independentistas? Falar de independentismo galego é falar dum movimento marginal, quando nom simplesmente testemunhal. Se o nacionalismo no seu conjunto tivo muitos problemas para assentar-se como umha realidade no seio da sociedade galega, as dum movimento que em muitos casos semelha buscar essa marginalidade som ainda maiores.

Somos poucos, é certo. Pero temos direito a defender a nossa visom em todos os foros, e a ser reconhecidos e respeitados como umha parte mais do nacionalismo galego.

Possivelmente tenha raçom Foz quando di que onde hai mais independentistas é no BNG. Mas provavelmente seja o lugar onde temos mais problemas. Se desde sempre o partido hegemônico, a UPG, tem-se amossado ferreamente antiindependentista, agora há que somar essa massa de cargos institucionais, enchufados e podremia pós-maoísta desfasada que é o quintanismo. Para que falar de independência se podemos falar de cargos de libre designaçom?

Porém, o independentismo tem muito que achegar á Fronte Patriótica. Se o BNG quer actuar como “casa comum” do nacionalismo e non como chalé particular de altos cargos debe aprender a escoitar a nossa voz, conscientes, isso si, que somos umha minoria.

Só quando o BNG seja a organizaçom plural que foi, volverá a ser a ferramenta que precisa este país para a sua libertaçom nacional.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Lembramos para avançar

Agosto é o mes dos mártires. Nestes dias lembramos a Alexandre Bóveda, a Xohán Xesús González ou a Moncho Reboiras. Em Teio homenageamos ao alcalde galeguista de Compostela, Ánxel Casal. Atopárom o seu cadáver numha valeta de Cacheiras o 19 de agosto de 1936.

Casal foi umha figura clave do galeguismo de preguerra e na sua imprenta vírom a luz a revista Nós e obras de Castelao, Álvaro Cunqueiro ou Camilo Díaz Baliño.

Mas porque olhamos de novo cara as fossas comuns e as tapias dos cemiterios? Que buscamos? Alguns voltamos a vista atrás para construir o futuro, porque um povo que esquece a sua história esta obrigado a repeti-la.

Nom busquemos novos santos nem totens baleiros aos que adorar ritualmente. Os mártires estám ai para lembrar-nos a tradiçom de rebeldia e luita de onde vimos. Tradiçom que nom podemos esquecer se queremos realizar o desejo de Castelao: que na nossa Terra se cumpra a vontade dos mártires.


Teio 5 de setembro de 2009

domingo, 4 de maio de 2008

Dias de luita e sonhos

Compostela vive, apesar de todo, reivindicativa e luitadora. Em voz baixa quiçá, mas vive. As bandeiras volvem a umhas ruas mobilizadas por professores, alguns estudantes e trabalhadores em geral. A folga dos ensinantes contra o novo decreto do Bacharelato, a modesta e questionável folga dos CAF e a manifestaçom da CIG do 1º de maio marchárom polo coraçom dumha cidade que precisa espertar e volver a tempos idos.

Apesar das derrotas seguimos aí. Muitos vivemos agora o presente dumha longa tradiçom de derrotas em todo o mundo: na Galiza, em Itália, em qualquer parte onde luitemos por construir umha alternativa ao mundo de hoxe. Mas seguimos aí. Porquê? Que nos fai avançar? É a utopia no horizonte da que nos falou Galeano? Ou é o abrente de bandeiras ao vento de Celso Emílio? Nom saberia dizer.

A amargura das derrotas escritas na pel dos que luitamos podiam ver-se nas ruas de Compostela, mas também a ilusom e os aços para novas batalhas. A carpa de Sam Lourenço, carvalheira de sonhos e fraternidade, serviu mais um ano para de refúgio para a esperança dos que ainda sonhamos com cambiar o mundo. Misturada com o polvo e as cançons, mantivemos viva a força que nos fai avançar. Porque apesar de todo, a luita continua.


Montouto (Teio)

4 de maio de 2008